Professora Leila Sales destaca a importância da simulação clínica na Enfermagem Perioperatória
2025-07-08 15:51Professora Leila Sales destaca a importância da simulação clínica na Enfermagem Perioperatória
Professora Leila Sales destaca a importância da simulação clínica na Enfermagem Perioperatória
A Unidade Local de Saúde do Alentejo Central (ULSAC) promoveu, nos dias 5 e 6 de junho de 2025, o 1st Online International Summer Meeting in Medical-Surgical Nursing, subordinado ao tema “Inovação, Diferenciação e Liderança nos Cuidados de Enfermagem Especializados.” A iniciativa, organizada pelo Núcleo de Enfermagem Médico-Cirúrgica da ULSAC, teve como principal objetivo promover a reflexão e a partilha de boas práticas nas diversas áreas de atuação especializada, sendo dirigida a enfermeiros especialistas em Enfermagem Médico-Cirúrgica.
Neste âmbito, a Professora Leila Sales, docente e diretora de área de Enfermagem da ESS CVP Lisboa, participou com uma intervenção focada na Área Especializada de Enfermagem Perioperatória, destacando o papel essencial da simulação clínica como ferramenta pedagógica no desenvolvimento de competências técnicas e, sobretudo, não técnicas.
Durante a sua intervenção, a Professora Sales sublinhou a importância da simulação para a segurança do doente em contexto perioperatório, com enfoque nas competências de comunicação, liderança e trabalho em equipa — elementos-chave para a prevenção de eventos adversos em ambientes de elevada complexidade.
A simulação clínica na capacitação de competências não técnicas
A Professora Sales sublinhou que a simulação assume um papel essencial no desenvolvimento destas competências, particularmente em ambientes de elevada complexidade e risco, como o bloco operatório. Refletiu ainda sobre a analogia com a aviação, onde a coordenação e a comunicação eficazes entre todos os membros da tripulação são imprescindíveis para a segurança do voo, apontando para a necessidade de um nível idêntico de coordenação no bloco operatório.
Referiu o modelo de Crew Resource Management (CRM), que revolucionou a segurança na aviação, e salientou a sua aplicabilidade na saúde, nomeadamente no perioperatório, onde a comunicação clara, a liderança situacional e a cooperação são determinantes para a prevenção de erros cirúrgicos.
Simulação e implementação de protocolos de segurança cirúrgica
A Professora Leila Sales destacou ainda o contributo da simulação para a aplicação eficaz da Lista de Verificação de Cirurgia Segura da OMS (LVCS), ferramenta essencial para a segurança do doente. Enfatizou como a simulação permite integrar a lista no fluxo operativo, ultrapassar barreiras culturais e hierárquicas, e reforçar momentos críticos como o “time-out” e “sign-out”.
Investigação em simulação clínica como suporte à política de segurança
A Professora salientou o valor da investigação em simulação clínica como fonte de evidência empírica para o desenvolvimento de políticas de segurança cirúrgica, contribuindo para a identificação de lacunas formativas, melhoria da qualidade assistencial e fundamentação de programas de formação contínua interprofissional. Embora a Estratégia Nacional para a Qualidade na Saúde (DGS, 2015) já reconheça a simulação como ferramenta educativa, ainda é necessário um maior investimento político e institucional nesta área.
Simulação: um espaço ético para errar e aprender
Por fim, a Professora Sales realçou o imperativo ético da simulação como espaço seguro para ensaio de erros e aprendizagem, essencial para a formação de enfermeiros perioperatórios. Defendeu a inclusão obrigatória da simulação nos planos curriculares das escolas de enfermagem, bem como a criação de programas anuais de treino e a valorização do debriefing estruturado como ferramenta de reflexão e melhoria contínua.
Conclusão
A Professora Leila Sales concluiu que a simulação clínica deve ser entendida como um pilar estratégico para a segurança cirúrgica, promovendo equipas mais eficazes, resilientes e coordenadas. Enfatizou a necessidade de integração curricular, apoio institucional e produção de evidência científica nacional, garantindo que as competências clínicas e comportamentais dos profissionais de saúde sejam continuamente desenvolvidas em ambiente seguro e controlado.
No seu percurso académico e profissional, a Professora tem estado envolvida em diversos projetos de formação e investigação em simulação no bloco operatório, incluindo o desenvolvimento de doentes virtuais, construção de cursos especializados e implementação de um CMEP (Curso Modular de Enfermagem Perioperatória) fortemente ancorado em dinâmicas de simulação, com foco particular no treino de competências interprofissionais.
A Professora destacou ainda a importância da disseminação da simulação in situ nos contextos reais de prática, reforçando que esta deve ser uma responsabilidade partilhada entre todos os stakeholders, para benefício comum de profissionais e utentes.

