Ensino com Tradição
História
Historiando o início desta Escola, vamos encontrar no "Regulamento das Damas Enfermeiras da Sociedade Portuguesa da Cruz Vermelha" que foi publicado entre Março e Novembro de 1917, a regulamentação do quadro das Damas Enfermeiras, junto ao Serviço de Saúde da Sociedade. Este regulamento refere a criação de escolas centrais e elementares de enfermeiras. Além das condições de admissão aos diferentes cursos, menciona as disposições respeitantes ao ensino, professores, exames e diplomas.
As atribuições das Damas Enfermeiras destinavam-se às áreas de actividade da Sociedade Portuguesa da Cruz Vermelha o que se traduzia por prestarem serviço nos estabelecimentos sanitários, hospitais civis, militares e instituições de caridade. Houve também a participação das primeiras Damas Enfermeiras na prestação de serviços no Hospital de Sangue de Ambleteuse em França, durante a 1ª Guerra Mundial, a partir de Novembro de 1917. No entanto, a formação recebida, provavelmente não foi a preconizada no regulamento devido à data de publicação do mesmo.
Foram estas enfermeiras que estiveram mais perto da primeira linha de combate, tendo uma delas sido galardoada pela primeira vez com o "Grau de Oficial de Torre e Espada de Valor, Lealdade e Mérito" devido à sua acção durante o bombardeamento efectuado por submarinos alemães à cidade do Funchal.
Estes cursos sofreram uma interrupção até que, em 1947, a Secção Auxiliar Feminina da Cruz Vermelha Portuguesa criou os cursos de Pronto Socorro, que se iniciaram em Janeiro de 1948. Mas, como se verificasse que a preparação técnica ministrada era insuficiente e segundo directrizes da Cruz Vermelha Internacional, foi criado um curso complementar que se denominou "Curso de Auxiliares e de Pronto Socorro".
Em 1950 a Cruz Vermelha Portuguesa, devido ao grande desenvolvimento das suas actividades no campo da saúde, verificou que necessitava de pessoal técnico de enfermagem para que os seus objectivos fossem plenamente atingidos.
Foi assim criado o Curso de Enfermagem Geral, com a duração de três anos. Além da preparação profissional ser semelhante à das outras Escolas de Enfermagem, dava também uma preparação específica em Formação Cruz Vermelha. Esta preparação permitia às enfermeiras actuarem dentro dos princípios humanitários da Instituição e em catástrofes naturais ou provocadas pelo Homem, quer a nível nacional, quer internacional. Estes cursos foram posteriormente oficializados e regulamentados por portaria própria. Em 1955, os cursos foram oficialmente equiparados, por diploma legal, aos ministrados nas escolas de enfermagem oficiais e particulares.
Em Março de 1957, nova Portaria veio regulamentar os dois cursos de enfermagem existentes na Cruz Vermelha: o Curso de Enfermagem Geral com a duração de três anos lectivos, seguidos de um ano de estágio post-escolar e o de Auxiliar de Enfermeiras com a duração de um ano e meio.
A partir de 1963, deixou de funcionar o Curso de Auxiliares de Enfermeiras da Cruz Vermelha Portuguesa, mantendo-se apenas o Curso de Enfermagem Geral.
Quando, em 1976, foram alterados os planos de estudos e os programas dos cursos de enfermagem das outras escolas, a Escola de Enfermeiras da Cruz Vermelha Portuguesa, atendendo à conveniência de procurar uma certa semelhança de critérios na preparação básica dos enfermeiros do nosso país, solicitou autorização superior para que a par dessas alterações se mantivesse a preparação específica das Enfermeiras da Cruz Vermelha. Tendo sido autorizado, o ensino continuou a processar-se dentro destes moldes.
Todas as Enfermeiras formadas pela nossa Escola, ao receberem o seu Diploma, faziam o seu Compromisso de Honra, ficando integradas no Corpo de Enfermeiras da Cruz Vermelha Portuguesa.
Com a integração do Ensino de Enfermagem no Sistema de Educação Nacional a nível Superior Politécnico em 1988, a Escola de Enfermeiras da Cruz Vermelha, que desde sempre procurou manter os seus programas e planos actualizados, acompanhando as novas exigências e a evolução do ensino de enfermagem, começou a estudar a sua integração nesse nível de ensino.
Assim, pela Portaria nº 557/93 de 31 de Maio de 1993 dos Ministérios da Defesa Nacional, da Educação e da Saúde, a Escola de Enfermeiras da Cruz Vermelha Portuguesa foi reconhecida como Escola Superior de Enfermagem, tendo iniciado o seu primeiro curso de Bacharelato em Enfermagem a 15 de Outubro de 1993.
O Curso de Licenciatura em Enfermagem regula-se pelo disposto no Decreto-Lei nº 353/99, de 3 de Setembro, e pela Portaria nº 799-D/99, de 20 de Setembro, tendo o seu início no ano lectivo 1999/2000.
Em 13 de Março de 2003 foi publicado o Decreto-Lei nº 44/2003 que autoriza a alteração da denominação da Escola para Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa, que a partir desta data tem como objectivo o Ensino Superior Politécnico nos domínios da Enfermagem e das Tecnologias da Saúde.
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